As Aventuras, Os Miúdos, Os Papás

As primeiras horas

d0964-img_5702   Tinhas menos de uma hora quando os teus avós Jó e Jú te viram pela primeira vez. Um segurança e os médicos autorizaram a entrada excepcionalmente. Tinham chegado de Lisboa e estavam uma verdadeira pilha de nervos. Portanto deram-lhes menos de 5 minutos para nos verem e tranquilizarem.

   Saímos do recobro…

   Sou sincera quando digo que não me lembro muito bem da chegada ao quarto.

  Simplesmente recordo ter-me despedido do teu pai ainda no recobro e de ter feito o caminho até ao quarto completamente assustada.

  Como é que eu ia passar tudo aquilo sozinha? E o papá? Como é que ele ia passar a noite? Tinhas acabado de nascer e nós já tínhamos de nos separar.

  Dormias tranquilo na tua nova caminha. A primeira mamada correu super bem e adormeceste ainda no meu peito. Tinhas já vestido a primeira roupinha (que a Tia Cláudia ofereceu) e estavas completamente embrulhado na mantinha.

   Apesar de tudo, estavas calmo.

  Já eu, sentia-me ligeiramente enjoada. Felizmente as enfermeiras vieram ver de mim, medir a tensão arterial e mudar os lençóis.

  Era então a hora do primeiro levanto. Com a supervisão de uma enfermeira lá fui fazer a minha primeira visita ao WC.

  Estava sob o efeito dos medicamentos e portanto não me doeu nada. Mas sentia que precisava de tomar um duche urgentemente.

  Elas prometeram que, obviamente, cuidariam de ti, e eu decidi então que era hora de me lavar finalmente.

   Só que não…

   Mal me levantei da sanita disse à enfermeira que ACHAVA que não estava muito bem.

   E ACORDEI…Deitada no chão.

  Pelos vistos, assim que falei, os enfermeiros agarram-se a mim e eu simplesmente desmaiei.

   A primeira coisa que disse quando me apercebi do que estava a acontecer?:
– “Sabe bem o fresquinho do chão.”.

   Uma reacção bastante calma para quem nunca tinha desmaiado.

   Os enfermeiros sorriram e deixaram-me estar deitada mais um pouco.

  Com esse friozinho do chão despertei e ao invés de ir para a cama tal como eles queriam, teimei que ia mesmo tomar um duche. A única condição que me foi imposta, foi que uma enfermeira estivesse comigo. Assenti sem pensar 2 vezes.

  Acho que nunca um duche me soube tão bem. De tal forma que nessa noite tomei 3. Aliviava as dores e mantinha-me acordada até a hora de mamares novamente. Sabia que se adormecesse ia custar mais a acordar.

  Ao nosso lado estava uma menina e a sua mamã. Ela nasceu apenas umas horas antes de ti. Também com duas voltas do cordão umbilical em torno do seu pescoço. Mas sem qualquer consequência.

  Tanto tu como ela, proporcionaram uma noite super calma a todos. As enfermeiras não tiveram de se preocupar com ninguém naquele quarto naquela noite.

   A verdade é que não dormi mais do que 1h.
Entre as dores do pós-parto e o misto de emoções.

   Mas sentia-me bem!

  Não parava de olhar para ti! O meu “eu” fotografo entrou em acção e tirei logo um batalhão de fotos. Aproveitei para comunicar com a família e responder às mensagens. E claro, enviar algumas das fotografias.

  Finalmente chegou o sol. Juro que esta imagem do nosso quarto completamente iluminado pelos primeiros raios e a tua caminha junto a minha não me sai da cabeça. Sentia-me sem dores e comecei a preparar a tua roupa e as coisas para o teu primeiro banho. Tomei o pequeno almoço [em pé porque mesmo sem as dores mais fortes era praticamente impossível sentar-me], lavei-me [mais uma vez], e lá fomos nós visitar a pediatra.

  Super simpática mas tu nem a viste. Dormias e continuavas a dormir. Despiram-te e tu nada. fizeram os exames e tu lá abriste um olho mas voltaste ao teu mundo de sonhos. Aprendi a dar-te banho e a ter todos os cuidados dos primeiros dias.

  Voltámos para o quarto. Sentia-me tão bem lá. Aquela luz magnifica [principalmente a da manhã]. Tudo era calmo a nossa volta. As pessoas, o espaço. Tudo.

  O teu pai chegou finalmente e cuidou de ti enquanto eu, claro, tomava mais um duche. Na primeira visita vieram a avó Jú e a bisavó Lourdes. Depois o avô Jó e a bisavó Ascenção. Os Tios Cláudio e Cláudia e também o primo Gabriel. Na visita do fim de tarde, a avó Imelda e o avô Tó.

 Até recebemos algumas pessoas, mas confesso que no primeiro dia sentia-me praticamente eléctrica e não me custou nadinha.

 Ao fim do dia ficamos os 3, e mais ninguém. A nossa família tinha oficialmente aumentado há 24h.

Estávamos felizes!

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