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Chegaste // O meu parto!

   Está imenso vento lá fora, e isso não está a facilitar em nada o que estou a tentar fazer aqui.

   Sou menina para gostar tanto da chuva torrencial, como do sol mais abrasador, mas vento e trovoada é algo que me aterroriza. Portanto não está a ser nada fácil seguir com os meus pensamentos e escrever com tudo o que se passa lá fora.

   Este é provavelmente o Post mais difícil que irei escrever, não por ser algo delicado, mas porque o meu lado perfeccionista me vai fazer pensar que [por muito que escreva e reescreva] nunca estará “perfeitamente” como eu quero. E de todos os Posts, aquele que representa o dia mais feliz da minha vida merece alguma dedicação.

O Parto

Quinta-feira, 12 de Janeiro.

   Dia de fazer CTG.

   Depois de fazer o toque, o Dr. Jayson olhou para nós com um sorriso de quem achava que não podia faltar muito:

  “Bom, preparem-se porque provavelmente voltam amanhã. Eu estou de urgência este fim-de-semana, até era uma boa altura para ele nascer. Não tenho a certeza, mas preparem-se porque acho que voltam mesmo. Mas vá, se ele não quiser esperamos até dia 19. Mas eu acho que voltam.

   Foi mais ou menos isto enquanto tinha o tal sorriso [o “de hoje no passas”].”

   Estava tão certo, que às cinco da tarde comecei a ter contracções.

   Ponderámos ficar em casa da Cláudia para estarmos mais perto do hospital. A nossa casa fica a mais meia hora do que a dela o que fazia um total de 1h10 de viagem. [para mim é uma das poucas desvantagens de se viver na nossa aldeia]

   A verdade é que em relação ao parto sempre estive super descontraída. Não me assustava em nada, JURO! Sempre que me perguntavam se estava com medo eu respondia:

– Até agora estou calma mas posso muito bem chegar ao dia, dar-me um piripaque e entrar em pânico. (Não acreditava muito nisso) Além disso se eu ouvir 1000 relatos de partos em que 999 foram horrorosos, eu posso sempre ser aquele que corre bem, ou não.    Portanto não vou sofrer por antecipação.

   Acredito que esta postura tenha sido a melhor que já tive em relação a uma questão tão complexa e na maioria das vezes tão assustadora. Fico muito orgulhosa de mim mesma quando penso que realmente tive muuuuuita calma.

   Portanto entre a calma da Cláudia e a minha, lá resolvemos vir até casa.

Sexta-feira, 13 de Janeiro

   Tentei dormir e a verdade é que mesmo acordando de meia em meia hora com contracções, foi um sono bastante revigorador. Não tive pesadelos com partos e isso já foi uma vitória.

   Logo pela manhã tomei um duche, fomos para a Covilhã e escusado será dizer que fiquei logo internada após os CTG.

   Uma da tarde e dei entrada na sala de dilatação.

   Até então as dores haviam sido suportáveis [sou suspeita porque, segundo a minha mãe, sou bastante tolerante à dor].

   A primeira dose de epidural foi às 15h. Agradeci imenso porque, ainda que as dores fossem suportáveis, já estava a ficar bem cansada e sinceramente toda a ajuda é bem vinda.

   Não me custou nadinha! A sério! Não doeu mesmo!

   A anestesista foi super atenciosa e fez as coisas com imensa calma. Assim que fez efeito a minha vontade foi de dormir. Sentia os olhos pesados. De certa forma sentia-me a descontrair. Ao mesmo tempo faltava muito pouco para conhecermos o nosso Bebé B e isso deixava-me de tal forma ansiosa, que voltava a ficar bem desperta.

   O Alexandre estava calmo. E esse era um dos pontos que me assustava no dia do parto.    Ele é extremamente sensível com estas coisas e cheguei a pensar que ele não conseguiria assistir. Felizmente a calma que emanava no ar também o deve ter atingido e acho que não o vi stressar uma única vez. Ia estando em contacto com os nossos pais e avós e mais algumas pessoas [optamos por dizer à maioria apenas quando o Bebé B. nasceu] ia fotografando alguns pormenores na sala e lá se passou o tempo.

   Às cinco e pouco precisei do reforço da epidural, mas ai as coisas foram um pouco diferentes. Aparentemente só fez efeito do lado direito e portanto comecei a sentir contracções bastante dolorosas. Cheguei mesmo a verter umas lágrimas entre cada contracção mas fiz o Alexandre prometer que não contaria isto a ninguém [queria passar por FORTE]. Hoje conto que o fiz porque acho que fui mesmo SUPER FORTE independentemente das lágrimas que deitei.

   CHEGOU A HORA. Fui a pé com as enfermeiras até a sala de partos ao lado.

   Sentia-me bem! O meu medico estava comigo, a mulher dele [que também me tinha seguido] estava na sala connosco e o Dr. Roberto quis ajudar. 2 estagiarias e enfermeiras.    A sala estava cheia e eu achava que isso me iria incomodar mas estavam todos com um ar tão feliz e descontraído que consegui concentrar-me em mim, no bebé e fazer o meu trabalho.

   O Dr. Jayson dizia repetidamente que eu me estava a portar super bem mas que mesmo assim o Dr. Roberto iria dar uma ajudinha porque acreditavam que eu já estivesse cansada.

   Mas essa não era a verdade.

  Quer dizer é verdade que eu estava cansada e eles sabiam disso mas a verdade verdadinha é que o Bebé B vinha com o cordão umbilical a dar duas voltas ao pescoço e por isso é que o Dr. Roberto iria ter de impedir que ele voltasse para dentro no momento da expulsão.

   Eu só soube disto no pós-parto. E essa foi a melhor atitude que eles poderiam ter tido.        Evitaram um momento de stress e tudo acabou por correr bem.

   Não senti dor nenhuma a partir do momento em que comecei o expulsivo. Sentia o Alexandre ao meu lado e portanto estava mesmo tudo bem.

Íamos conhecer o Bebé B.!

Sexta-feira 13 // 19h13 // Cama 13 // 3.210kg // 49,5cm

   Ele nasceu, todos sorriam enquanto o preparavam para me conhecer. Sei que o ouvi chorar mas por muito que me tente lembrar disso não consigo. Talvez porque mesmo sabendo que isso é o primeiro sinal de bem estar num nascimento sabia que não iria gostar de o ouvir chorar. Na minha cabeça se chorava assim é porque estava assustado.

   Ele, mais do que nós todos, estava a viver uma experiência nova e para a qual ninguém o poderia ter preparado. Tinha acabado de sair do quentinho e escuro para uma sala cheia de luzes e pessoas e imaginem só, tinha de respirar pela primeira vez! Era tudo novo!

   Quando pensamos assim e temos esta noção o nosso cérebro faz questão de esquecer ou ignorar qualquer dor que o nosso corpo possa sentir e o nosso coração foca-se na nossa cria! Sim, CRIA!

   Estava tudo bem com a minha cria e ela ia poder finalmente conhecer os papás. Voltar a ouvir as vozes que tão bem conhece e sentir-se seguro outra vez.

   Senti-o no meu peito, nusinho! Calmo outra vez. Eu tentava vê-lo. A cara, os olhos, a boca, tudo. Mas aquele não era o melhor ângulo [completamente deitada com ele junto ao meu pescoço] e não conseguia ver o meu bebé assim tão bem. Ia precisar de o ter ao meu lado e de olhar para ele horas a fio para conhecer cada milímetro daquele ser humaninho que nós tínhamos feito.

   Foi naquele momento que prometi a mim mesma que ia dedicar umas boas horas da minha vida a olhar para ele, só a olhar!

BC

2 opiniões sobre “Chegaste // O meu parto!”

  1. Que texto tão doce. E que momento tão bom me fizeste viver enquanto li este pedacinho sobre este dia tão especial nas nossas vidas. Que sexta feira 13 tão feliz.
    Meu querido B ❤

    Liked by 1 person

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